Deus, ele pensou, Deus me ajude, por favor. Hoje, nesta noite, preciso de ajuda.
Hoje, só neste momento, ele se permitiu. Se sentia só, mortalmente solitário.
Se entregou aos braços da solidão relutante, amedrontado. Tinha absoluta certeza que toda essa baboseira de cara-metade e felizes para sempre não existia… mas como, nem que somente por essa noite, ele quis isso.
Entre tantos erros e acertos que ja havia cometido, sem remorsos, nem lamentações, ele gostaria de estar lá. Ele desejava (tanto que doia) estar lá. Qualquer que fosse esse lugar, com ela. Completo por uma noite que fosse, feliz num momento a ser guardado, como uma criança guarda o brinquedo mais querido. Imaginou estar enrolado naqueles cabelos coloridos desbotados, em meio a conversas sem importancia, perdido naqueles olhos, hora escuros como a noite, hora verdes como uma água das mais límpidas.
“Deus, estou só. Eu sei que você sabe. Estou só” era a unica coisa que conseguia pensar. Como ele queria ter agora a ridicula metade da laranja ao seu lado.
Gostaria tanto voltar ao tempo em que tudo era mais facil, olhar as estrelas e se apaixonar antes, em outra era, foram coisas simples de se fazer, tão naturais quanto respirar. Hoje lhe parecia tão distante, como se houvessem se passado tantas vidas desde que consegiu fazer isso pela ultima vez.
O primeiro dia lunar definitivamente não estava lhe deixando em seu juizo normal. Sentindo todos esses sentimentozinhos melancolicos, coisinhas de mulher… mas, oh Deus, era tão bom imaginar por um instante….
“2 am and I’m still awake, writing a song
If I get it all down on paper
It’s no longer inside of me, threatening the life it belongs to
And I feel like I’m naked in front of the crowd
Cause these words are my diary, screaming and loud
And I know that you’ll use them, however you want to”




Que texto espetacular.
Li e reli várias vezes…
Muito feliz com sua visita. Brigadão..
Um grande beijo
Neo