Esse Descompasso

Publicado: 10 outubro, 2008 em pensamentos
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Hoje parece que carrego toda a tristeza do mundo dentro de mim. O dia amanhece, são quase cinco horas. Foi um dia estranho mas bonito. Ri com as alegrias, e chorei um pouquinho, sem motivo que eu pudesse encontrar.
Acho que, pensando bem… se eu me esforçar um pouquinho eu sei sim o que me faz sentir esse bolo estranho na boca do estomago: solidão.
Me sinto só, mas não é algo simples, uma solidão “solitária”. É uma solidão acompanhada, pois ela vem com tudo e com todos, e apesar de estar entre queridos me falta algo, e o meu peito aperta e me vêm esses sentimentos que me amarguram por dentro, que deixam um gosto ácido na boca e que fazem sal escorrer dos meus olhos.
“A solidão é fera, a solidão devora
É amiga das horas, prima, irmã do tempo
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração”
O que acho mais engraçado dessa “dança da solidão” é que quando ela me vem traz consigo um punhado de outros sentimentos, entre eles a saudade. Mas essa também não é uma saudade qualquer, é uma saudade cheia de angústia de todas as coisas que ainda não fiz, das cores que não vi e das palavras não ditas. De um rosto que não me é familiar e de um cheiro qualquer que mesmo sendo novo poderia me lembrar da minha infância. Vem no peito a saudade de um amor que não tive e dos lugares que ainda não estive… e todas essas saudades são ausências de viver, ter, sentir, descobrir. É um buraco, um vazio, um nada, uma página em branco no meu diário, um espaço que não foi preenchido, ela, essa sem alma (a saudade), não traz nem doces lembranças nem amargas recordações… só traz a tristeza que consome.
Na companhia dessa solidão que me descompassa o coração e irrita meus olhos vou vendo as horas se arrastando, esperando que me arrastem com elas para longe desse lugar (e para perto de outro qualquer), para longe de todos (e talvez para perto de um), para longe de mim (se eu pudesse não me ser por um instante).
Mas, enfim, como a fulga não é possível, eu escrevo e reescrevo, invento, desinvento e reinvento meu Mundo do Nada, com cenas roubadas de filmes cliches e frases copiadas, hora de grandes poetas, hora das portas dos banheiros e ainda das cabeças pensantes que me rodeiam (não que essas duas últimas fontes também não possam ser consideradas, em alguns casos, grandes poetas). Vou andando pelo mundo, colecionando figurinhas que considero importantes e carregando essas dores, angústias e saudades de tudo de belo e maldito que ainda não vivi.

 

“… Não sei se é do vinho ou da vida …
… Certos dias têm cara de vida inteira …”
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comentários
  1. Veronica disse:

    Realmente, tem dias que me sinto assim tambem. O estar sozinho entre milhares e sem conhecer o que se tem saudade…

    obrigada!!!

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