e la vai 27…

Publicado: 5 março, 2009 em Minhas Cores, pensamentos
Tags:

[o texto não está muito conexo, mas o que se espera quando se fala de vida…]

Por não saber bem pra onde quero ir, às vezes (quase todas) nem sei por onde começar…

 

 

O tempo vai passando e muitas coisas vão ficando perdidas lá no fundo da caixola, debaixo de toda quinquilharia. Hoje eu penso e (do pouco que consigo) me lembro da minha vida. De muitas coisas que passaram, de pessoas que conheci, de pessoas que me marcaram, de outras que nem me lembro o nome. Tantas coisas aprendi, tanta coisa errei e outras tantas acertei. A família, os amigos, os namoradinhos, a escola. Eu consigo lembrar de poucas coisas da minha infância, mas esse punhado que carrego levo com muito cuidado e carinho especial, pra nunca esquecer.

Eu consigo lembrar de quando eu fazia 3ª série e as provas ainda eram feitas no mimeografo e ainda vinham cheirando a álcool pras nossas mãos. Dessa época lembro de uma amiga chamada Natalia e de como eu pensava que seriamos eternas melhores amigas. Lembro quando ia ao dentista e tinha que aplicar flúor e de como sempre odiei isso. Jogar bola com os meninos e passar o recreio todo me danando, correndo, pulando e brigando. Eu me lembro também que sempre me achei desengonçada e sem graça, mas mesmo assim na quarta série arranjei um namoradinho (Eduardo era o nome dele). Naquela época o namoro era só ficar juntos no recreio e, na hora de voltar pra sala, lembro que dizia pra ele: um beijo e um queijo! Hahaha… eu dizia isso porque minha irmã me falava isso antes de sair de casa ou de dormir! Lembro com saudade de todos os amigos que fui deixando para trás nas mudanças de cidade. Eu fui a última menina do meu grupinho a menstruar, mas não fui a última a dar o primeiro beijo (nem a primeira rs), mas acho que vou ser uma das últimas a casar kkkkkkk

Eu não me lembro do meu primeiro beijo (eu sei que todo mundo diz que é inesquecível, mas, bem, sorry eu esqueci), vai ver que não foi tão bom. Eu não lembro de minha mãe (mas isso não me impede de sentir um imenso vazio pela falta que ela faz) e pouco, muito pouco me lembro do meu pai (mas lembro do seu sorriso). Eu lembro que sempre que pensava neles eu tinha a idéia de que morreria cedo como eles. Bem, ainda não morri né…

Lembro de decepções e tristezas que gostaria de esquecer, dessas coisas que acontecem em toda família, mas, que ninguém nunca quer falar. E como foi difícil e fácil ao mesmo tempo mudar de cidade, e como foi difícil (e nem um pouco fácil) deixar tudo que eu conhecia pra trás, e foi também tão gostoso chegar à conclusão, no auge dos meus 13 anos que o tempo se encarrega de tudo. E eu fui me acostumando à nova vida, e amando novos amigos e continuei descobrindo o mundo. Dancei valsa nos meus 15 anos, e, até hoje acho o vestido que usei horrível. Teve um menino na minha festa de 15 anos que me beijou (e eu beijei de volta) enquanto a gente dançava a música tema do filme Don Juan. Esse menino era o “grande amor” de uma grande amiga minha (eu sei, vacilei, furei olho)… pedi perdão pra ela de joelhos no colégio na frente de todo mundo na hora do recreio. Nunca mais vi o menino, mas falo com ela até hoje. Beijei um grande amigo dentro de um guarda roupas e depois fomos parar no hospital (mas isso é outra historia!).  Nunca mais nos beijamos, mas somos amigos até hoje!

Eu brinquei de bonecos (e não bonecas) até meus 14 anos. Andava de patins com as amigas a “100 km/h” na área do prédio (palavras usadas por uma velhinha pra descrever a nossa incrível velocidade), jogava a bola pra cima do telhado e subia pra pegar, pulava o muro do vizinho e fazia piquenique. Eu enterrava meus peixinhos na parte detrás da garagem onde tinha uns matinhos por lá. E foi lá também que enterrei a Maroca. Quando eu era bem pequena pedi aos meus pais um cavalo. Eles me deram uma papagaia. A Maroca. Ela viveu com a gente por cerca de 15 barulhentos e divertidos anos. Ela certamente foi meu primeiro amor e quando ela morreu em um incêndio que teve em nosso apartamento, uma parte da minha vida foi com ela. Always in my heart.

Lembro do meu primeiro porre e do meu primeiro cigarro. De quando eu “roubei” o carro do papai pra ir namorar (e ele me pegou! Rs). Também lembro das vezes que eu matava aula pra ir namorar (eu sempre gostei de namorar huahua) ou pra jogar vídeo game na casa da Carol, ir no cinema ou ainda pra ir beber lá no Frangão.

Lembro da sensação de passar no vestibular pela primeira vez, da felicidade dos meus pais pelo objetivo alcançado. E lembro também da sensação de insegurança e de excitação quando voltei a estudar (quando decidi cursar minha terceira faculdade) como se nunca tivesse feito isso antes.

E ainda lembro de como chorei. Já chorei muito. De alegrias e de tristezas. Às vezes ria chorando. Mas sem duvida lembro também de muito riso. Das competições de natação, bicicleta, corrida e futebol. Das partidas de sinuca, das estórias de fantasmas e de subir em arvore pra pegar goiaba. Das danças, das mentiras, das colas. Os abraços, filmes, musicas, desenhos e planos para dominar o mundo (jogando War).

O meu primeiro fora, meu primeiro walkman (era amarelo), meu atari, meu violão e minha gaita. Minha primeira caloi e da minha criação de formigas que eu guardava em baixo da cama (até mamãe descobrir). Eu lembro que eu escutava mil vezes a fita do Michael Jackson do álbum Black and White e que nunca brinquei bem de pular elástico. Nunca tive nenhum boneco Fofão, mas tinha um Topogiggio e um querido pônei.

Eu soltava pipa, brincava de bila e brigava na rua. Eu fiz poemas, cantei o amor e fiz juras pra lua.

Eu sofri e fiz sofrer, mas amei e fiz amar. Essa semana completo 27 anos. Olho pra trás e gosto de tudo que vejo, mas quando olho pra frente eu vejo muito mais, e tem momentos que vejo tanto, que acho que nem 500 anos seriam suficientes. Assim como essas linhas não são suficientes pra expressar tudo o que sinto e vivi, e o quanto tudo e todos significam pra mim, da mesma forma é impossível eu viver uma só vida e fazer tudo aquilo que quero e sonho. O mundo é uma gigante caixinha de surpresa. Nem sempre são surpresas boas, mas como é dito no filme “O curioso caso de Benjamim Botton” : as vezes você pode até ficar com raiva com o rumo que as coisas tomam, pode gritar, xingar, mas no fim tudo que você pode fazer é se conformar (é mais ou menos assim).

Cada um de nos constrói sua historia, a vida traz rumos e opções e ensina de formas diferentes. Cabe a nós decidir o que fazer com esse tempo que nos é dado aqui.

Eu tô fazendo a minha historia. Meio torta, meio sem jeito às vezes, e pra alguns até sem sentido, mas é minha e ninguém pode senti-la além de mim.

E sei que muita coisa ainda me aguarda na esquina…

Anúncios
comentários
  1. Ao chegar no cheiro das provas mimeografadas, meus olhos turvaram e senti o gosto do Guaraná Caledonia vendido na cantina do colégio. A coceira do gesso pelo braço destroncado . Ouvi a algazarra da hora do recreio…
    Nostalgia …

  2. Daniella disse:

    Pronto querida!!! Estou começando a atualizar o blog!
    Amei seu post! Meu primeiro walkman tbm era amarelo! hehehe
    E quer dizer que tu já estás na 3 faculdade? Fera hein!
    Fica com Deus, beijos!

  3. Sammyra disse:

    Que texto maravilhoso, bom conhecer vc mais um pouco e melhor ainda mergulhar nessa nostalgia toda…
    tempo tão bom que até hoje tem cheiro, gosto e cores… aiai…
    Beijo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s