Publicado: 26 outubro, 2010 em pensamentos
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Eu tinha um encontro. Dia desses, semana passada, acho que era um encontro. Certamente era uma possibilidade. De repente uma mão na nuca, um olhar, talvez um beijo, quem sabe até uma cama. De qualquer forma eu tinha um encontro. Tinha. Não aconteceu. Nada que me faça sentir mal, nem bem. Somente ficou para depois por conta de outros acontecimentos.

O fato é que meus pensamentos estão constantemente em fuga. E o pior é que eu não posso dete-los! É como se tivessem vontade própria, por mais que eu tente controla-los e por força prende-los (isso quando não desisto e me rendo por completo logo de primeira) eles dão um jeito de me enganar e correr de mim.

Eles voam, as vezes pra tão longe, as vezes pra perto. Imagino toda uma vida não vivida, em uma cidade desconhecida, com amigos legais que gostam de cartas e bebidas, de piadas com pitadas de humor-negro, de domingos trancados dentro de um quarto, da preguiça de visitar o mundo e da curiosidade do novo. De teatros, shows, bares, brigas, pazes. De crises de ciumes que nunca sairão do script, dos beijos na chuva, das viagens, das caminhadas, das coisas simples. De fazer amor e se fazer esquecer de todo o resto, porque todo o resto não importaria naquele momento. Penso nos gatos que nunca tivemos, no bonsai que não reguei, daquela tua blusa preferida que não tive a oportunidade de queimar por pura falta de atenção enquanto passava e ouvia musica (e tentava cantar) ao mesmo tempo. Os livros não comentados, os segredos que agora sempre serão segredos pois a vida quis assim (a vida? será?). Penso nas dores do parto e nas noites mal dormidas envoltos em preocupações na eterna tentativa de sermos pais. Em como ela teria o meu temperamento e a tua inteligência, cheia de si, segura das suas verdades e convicções. Ele teria um Q de algo mais que a gente jamais conseguiria decifrar de onde veio, com ideias e filosofias que eu jamais poderia compreender, mas que eu saberia acalentar quando preciso. Ele seria tão como você! Teria o teu sorriso, aberto, muitas vezes difícil de achar, mas que sempre valia a pena tentar. Penso ainda nas noites em família onde comeríamos pipocas e veríamos algum filme e nos sentiríamos completos e felizes por alguns minutos.

E na velhice boas historias pra contar. Sempre algo para revelar aos netos. Estar junto de você e ver que apesar do pesares a gente conseguiu, e do nosso jeito, único, fizemos nossa historia.

E então a morte.

São truques. Truques que minha mente prega trazendo na boca o gosto do não vivido. E então eu volto para a realidade. Não, eu não moro no sul do Brasil, eu não conheço seus amigos e eu não tenho você.

Só me resta então esperar pelo próximo encontro.

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