Lentamente a imagem dele vai desaparecendo, a forma do rosto e as cores que saiam dele aos poucos vão ficando cheias de nuvens. Tudo o que foi dito fede. Fede a trapaça, mentiras que nem sequer foram ditas por completo, podridão recheada de dores que vieram enfeitadas em uma bela caixinha como se fossem o melhor presente dos últimos tempos.

E então se deu conta daquilo que já sabia, mas que, por medo, solidão, demência, carência e N outras ‘ências’ que se pode citar e criar, insistentemente teimava em fingir que não via.

Não havia mais tempo para correr atrás de quem não quer ser perseguido. Ela, mais do que ninguém, sabia disso.

Levantou da cama, foi ao banheiro. Sentiu a água fria nas mãos, depois no rosto. Olhou a  pálidez e as olheiras naquela imagem refletida no espelho. Era um rosto estranhamente bonito e agradável, sabia disso. Tinha ainda 11 vidas pela frente, também sabia disso.

– Foda-se toda essa merda – falou em alto e bom som. Suspirou, sorriu de leve e seguiu em frente.

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