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Publicado: 28 setembro, 2011 em Minhas Cores
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Depósito de imagens, sabores, texturas, sensações.

Uma caixa fechada com risos, abraços, ternuras e aconchegos. Um livro em branco de beijos de boa noite, de estorias para ninar e afagos para acalentar .

Todas essas coisas trancadas. Em algum lugar. Não chegaram nunca a serem perdidas, pois sequer existiram algum dia.

Das lembranças que eu trago da vida, você é de quem menos me lembro. Houve ainda uma época que me fazia imensa falta, mas hoje, hoje não mais. Não penso que isso seja triste, nem alegre. É, apenas.

Eu ganhei muitos abraços, muitos e incontaveis beijos de boa noite, enormes sermões e vários castigos. Escuto estorias até hoje e tenho colo sempre que preciso.

Então minha homenagem no dia em que seria o seu aniversário pai, vai ser de uma forma diferente. Mesmo você me deixando tão cedo, obrigada por não ter me deixado sozinha. Agradeço de coração por me deixar com meus avós, que hoje, alias, não só hoje, mas a muito tempo, são meus pais. Não poderia ter ficado em melhores mãos , pode ter certeza.

A gente segue aqui, vivendo, brigando, se amando da melhor forma possivel. E nessa dança louca do dia-a-dia, de uma (in)certa forma, você ainda vive, em alguns dos meus jeitos e sempre, sempre, sempre dentro deles.

Hoje voltando pra casa pensei na morte. Aliás, não sei seu eu pensei nela, ou de repente ela pensou (ou passou) por mim. Mas sempre que isso aconteçe (pensar na morte) eu me faço as mesmas perguntas que são uma espécie de avaliação da minha vida. Eu acho que todos nós fazemos isso, penso que é uma resposta automática repensar a vida quando pensamos a morte.

Nesses momentos de pensar a morte sempre me vêm coisas que gostaria de ter feito ou nas coisas que fiz pouco, ou ainda nas coisas que fiz demais. Nunca saltei de paraquedas nem fiz bungee jump, nunca vi o dia amanhcer do alto de uma montanha, nunca deitei na neve, nunca fiz amor na chuva (eu amo chuva). Ainda não tenho minha moto, nunca vi um show do U2, e nunca mergulhei pra ver os corais com toda aquela fantástica vida colorida lá embaixo. Não aprendi a surfar nem a tocar bateria. Não me casei, não tive filhos, nunca consegui ter uma plantinha que ficasse viva por mais de 1 mês. Não conheçi a Irlanda (terra do U2) e nem conheçi a Nova Zelândia (terra do Senhor dos Anéis). Nunca encontrei algo que durasse pra sempre.

Abraçei pouco, beijei pouco, amei pouco. Ah, e como eu gostaria de ter dito mais coisas bonitas, e mais coisas carinhosas e ter mostrado mais afeto e ter dado mais atenção! Se eu morresse agora, eu iria me sentindo muito vazia de toda essa boniteza que é a afeição. Gostaria de ter dado mais sorrisos e mais bom dias! Eu queria ter sido mais simpática e acessível. Queria ter chorado mais, sentido mais, gritado, falado, calado e escutado mais. Queria mais filmes, mais música, mais romance. Mais flores, cheiros, cores e sabores. Queria mais suavidade, mais toque, mais olhar … queria tudo, tudo, tudo outra vez.

Eu também queria menos angústia. E pra que tanta raiva? (são dois trabalhos, né amor?). Tanta frustração, ressentimento, tristeza, amargura, decepção, e as vezes até mesmo ódio! Ódio… que palavra feia né?! É tão forte, tão carregada de coisas ruins, mas ainda assim usamos sempre, vez por outras estamos com óooodio de alguém ou alguma coisa. E pra que tanta discussão, porque não aceitar cada um do jeito que é?! Porque tanta maldade, mesquinharia, inveja e ciúme? Pra que causar e sofrer tanta dor?

Quando penso na morte eu penso em um monte de coisas que tornam a vida desgastante, cansada, sofrida. Mas tembém me vêm a mente milhões de outros motivos que a tornam bela, única, incrível e incomparável, uma dádiva. E eu vejo que o importante  é que eu ainda não morri (pelo menos até agora) e nem você também, então a gente não tem que esperar que ela (a morte) chegue pra querer uma vida melhor, mais gostosa, mais alegre, mais leve. Eu e você temos a capacidade de pensar e mudar nossas atitudes  pra melhorar nossas vidas. Não precisamos de nenhuma catástrofe para querer mudar e nem podemos esperar que os outros mudem por nós. Cada um é inteiramente responsável por fazer seu próprio caminho e não devemos e nem podemos culpar niguém pela nossa infelicidade. Portanto, se tem alguma coisa na tua vida que te faz triste, que te põe pra baixo, que te apaga e sufoca então MECHA-SE! Não espere encontrar tua felicidade na felicidade das outras pessoas e muito menos em outras pessoas. O que te faz feliz está ai, em algum lugar dentro de ti. E não se preocupe, alegria atrai alegria, quanto mais você estiver satisfeita com tudo ao seu redor, mais a vida vai te dar.

Então, tudo isso que eu disse lá em cima, eu decido que eu não “queria” e sim que eu QUERO, eu quero amar mais, abraçar mais, sorrir mais, viver mais. Só eu posso fazer essas coisas por mim, por isso eu tento todos os dias ser um pouquinho mais da pessoa que eu quero mesmo ser. Menos estressada, aborrecida e reclamona, menos grossa, acomodada e infeliz. Vou tentando aos poucos largar, deixar pra trás, tudo que me faz ser opaca e sem brilho e tento, tento mesmo, encontrar o melhor de mim.

ઇ‍ઉ ઇ‍ઉ ઇ‍ઉ ઇ‍ઉ ઇ‍ઉ

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.
(Tocando em Frente – Almir Sater)

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Morte e Vida

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